Clube da Dona Menô
Dona Menô
Quem matou Odete Roitman?!

Não acredito que a novela de Gilberto Braga (1988/1989) tenha mobilizado um país inteiro. Se bem que num país que não lê livros (dentre os autores, Agatha Christie daria excelente diretora e produtora), então Odete Roitman e Gilberto Braga tenham sido realmente o barato televisivo da vez, algo incomum...

Eu acho que a novela era Vale Tudo, não lembro. Nunca fui chegada a novelas. Conhecia Beatriz Segall, uma excelente atriz, além de possuir os olhos de felina mais lindos que existiram após Sophia Loren. Mas novela, pelo amor de Deus, aquilo era penitência!


Sabem o que levou o jargão “Quem... matou.... Odete.... Roitman?...” à frente? Foi a sonoridade!!!. Cadenciadamente expressa a pergunta, passou a ser a epígrafe debochada para os mistérios da vida...


Coisas acontecem que impressionam o público. Aquele inteligente que consegue impressionar, que ilude, que envolve e se faz presente, pode dizer que deixou uma marca. Foi assim com Orson Welles no fatídico programa de rádio no qual ele assustou uma turminha impressionável com a tal invasão de marcianos.

Tá certo que Orson era Orson, mas que ele devia ter tomado porrada na cara, isso devia... Nos dias de hoje isso seria um acontecimento insignificante. Ninguém ligaria para invasão de marcianos, mas imaginem isso 70 anos atrás...
[http://www.igutenberg.org/guerra124.html]

Pois bem... Hoje numa cidade grande temos rádio basicamente para acordarmos quando o despertador toca, ou ouvirmos notícias e músicas, em meio ao trânsito que nos impede de seguir com o carro, ou ainda, quando o pc dá pau... Rádio e televisão viraram recursos para uma população menos abastada.

Os jovens estão cada vez mais ligados em tudo que acontece na Internet. Os coroas aderiram ao cyber-oba-oba. Nisso, quando esta forma de informação (rica, a mais rica de todos os tempos), vem para desenvolver as mentes humanas, intrometem-se nela as mais torpes personalidades.

Num mundo democrático, onde todos têm a vez, colocam-se na berlinda pessoas não idôneas. Outros, inocentes, crédulos do bem-querer, se iludem. Daí, a corja de malfeitores se apodera e se implanta que nem uma erva daninha no mundo virtual, que poderia ser lindo; poderia ser a solução para muitas guerras até.

A megera da Odete passou a ser fichinha. Bem que mereceu morrer. Só que hoje não vemos TV como antigamente... Para piorar, saímos da era do rádio e continuamos de olhos fechados, encantando-nos com aquilo que queremos acreditar. É o imaginário coletivo... A Internet é um prato cheio para tal.

Leila Marinho Lage
http://www.clubedadonameno.com